O domingo de Carnaval aconteceu. E aconteceu com significado.
Alguns setores – especialmente os de produtos maiores, como arranjos florais, decoração, brinquedos, enxovais e mobiliário – tiveram baixa presença. Já vestuário, bijuterias, complementos, bolsas, calçados e alimentação compareceram em número razoável, algo em torno de 40%. Houve público. E, para muitos, as vendas superaram as expectativas.
A organização foi aceitável. Não houve incidentes de segurança, os sanitários estavam limpos e bem atendidos. A saída do trânsito poderia ter sido melhor coordenada, é verdade – embora dificuldades semelhantes tenham sido registradas em outros pontos da cidade, como na “Marinada”, no entorno do Mineirão, onde veículos e multidões também interagiram de forma pouco segura.
A convivência entre Feira Hippie e Carnaval é, sim, complexa. Envolve segurança, mobilidade, fiscalização, logística de blocos e impactos econômicos diferentes conforme o setor. Não gera renda para todos os feirantes da mesma forma. Ao mesmo tempo, é inegável a importância econômica e turística que o Carnaval alcançou para Belo Horizonte nos últimos anos.
A importância da Feira Hippie também é de conhecimento amplo. São décadas de história, trabalho, cultura e geração de renda.
Diante desse cenário, nós – como editores deste site e participantes atentos da vida da feira – acreditamos que há espaço para uma saída negociada, construída de boa-fé entre feirantes e administração do Carnaval, especialmente Belotur e Secretaria Municipal de Política Urbana.
O recente episódio em que se tentou cancelar a feira sem o devido diálogo mostrou dois fatos importantes: primeiro, que decisões precipitadas não ajudam ninguém; segundo, que a reação organizada e inteligente dos feirantes é capaz de produzir resultados. Houve recuo. Houve manutenção da feira. Isso demonstra que o caminho do diálogo é possível.
E, se é possível, precisa começar já, pensando no Carnaval de 2027.
Durante as conversas que mantiveram a feira no dia 15/02, uma ideia nos chamou atenção pela possibilidade de gerar ganho coletivo: a realização de uma feira especial no aniversário de Belo Horizonte, em 8 de dezembro, feriado municipal. Uma edição comemorativa oficial, vinculada ao aniversário da cidade, pode ser viável – desde que haja compromisso claro com:
• divulgação institucional antecipada e consistente;
• inserção formal no calendário turístico;
• planejamento logístico adequado;
• e continuidade nos anos seguintes, caso a experiência seja positiva.
Desde a primeira edição, precisaria nascer com nome, conceito e identidade próprios. Não como “mais uma feira”, mas como um produto turístico da cidade – algo que una tradição, presente e cidadania.
Um exemplo simples de conceito: “Belo Horizonte faz aniversário e a Feira Hippie faz a festa.”
É apenas uma ideia entre outras que certamente podem surgir da Comissão Paritária, das associações, dos feirantes e da própria administração.
A questão central, ao nosso ver, é esta: a feira não é um problema a ser contornado. É um ativo turístico pronto, consolidado, que precisa ser respeitado, valorizado e melhor integrado ao planejamento da cidade.
Disposição para dialogar e resolver problemas nunca faltou à feira. Que também não falte disposição institucional para construir soluções equilibradas.
Seguimos atentos, abertos ao debate e confiantes de que tradição e desenvolvimento podem caminhar juntos – quando há respeito e planejamento.
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