Apresentamos hoje à Prefeitura, à Câmara, à Comissão Paritária e às associações uma proposta para criar uma edição especial da Feira Hippie no feriado de 8 de dezembro, como novo evento turístico da cidade.

Belo Horizonte tem, em pleno funcionamento, um dos maiores acontecimentos de rua da América Latina. Tem um feriado antigo no calendário, o 8 de dezembro, e nada para oferecer nele. Tem uma lei municipal que manda promover a gentileza urbana e a cidadania e nenhum evento capaz de mostrar o que isso significa. E tem dezembro, o melhor mês do comércio, sem uma grande atração para quem vive a duas ou três horas da capital.

A proposta que apresentamos hoje sugere apenas que essas quatro coisas se encontrem.

O que propomos

Uma edição especial da Feira Hippie no dia 8 de dezembro, todos os anos, com nome próprio, identidade visual própria, plano de divulgação da Prefeitura e lugar no calendário turístico e cultural oficial do Município.

Não é uma feira extra. Feira extra é um dia a mais de trabalho sem público novo. O que propomos é uma data da cidade, do tipo que depois de alguns anos o morador já sabe que vai acontecer e o visitante já planeja pegar.

Para quem trabalha na Feira, é importante dizer: a edição seria adicional, sem mexer em nenhum domingo e com participação facultativa, como em qualquer domingo.

Por que 8 de dezembro

É feriado municipal, então a cidade já está parada e nenhum dia útil é retirado de ninguém. É véspera das comemorações do aniversário de Belo Horizonte, fundada em 12 de dezembro. Alcança quem não vai à Feira aos domingos por causa da rotina de família. E cai na melhor semana comercial do ano, quando as pessoas começam a comprar presentes.

A Semana da Gentileza Urbana e Cidadania

Este é o ponto que mais nos interessou ao estudar a legislação. A Lei Municipal 11.397/2022, no art. 81, institui a Semana da Gentileza Urbana e Cidadania, destinada a destacar ações e intervenções, no campo da Arquitetura, do Urbanismo e do Paisagismo, que visem ao bem-estar coletivo e à melhoria da qualidade de vida no Município. A lei determina parcerias, campanhas educativas na rede escolar e programação na Câmara.

Essa semana existe em lei consolidada em 2022 e não tem um evento que lhe dê visibilidade.

A Feira Hippie é, tecnicamente, uma intervenção urbana. Provavelmente a maior e mais antiga em funcionamento na cidade. Todo domingo, uma avenida inteira deixa de ser via de tráfego e vira espaço de pedestres, de comércio, de cultura e de convivência. No fim do dia, é devolvida ao uso corrente. Sem catraca, sem ingresso, sem seleção de público, de forma autogerida por milhares de pessoas, há 57 anos.

A lei descreve, sem citá-la, aquilo que a Feira faz desde 1969.

O que estamos pedindo

Nada de definitivo. Pedimos que a Administração manifeste interesse em examinar o projeto e constitua um grupo de trabalho ainda em 2026, prazo necessário para que a primeira edição possa acontecer em 8 de dezembro de 2027.

Uma observação sobre a autoria

A proposta é pessoal, de dois feirantes licenciados. Não fala em nome da Feira nem de nenhuma associação. É uma contribuição ao debate e foi escrita para ser discutida, aperfeiçoada ou recusada.

Ela está sendo encaminhada hoje ao Gabinete do Prefeito, à Belotur, à Diretoria de Licenciamento (DLIP) e à Gerência da Feira (GEFAP), à Presidência da Câmara Municipal, à Comissão Paritária, à AflicBH, à ABFEMG, aos feirantes e, claro, ao povo de Belo Horizonte.

Leia o documento completo:

261019-FeiraGentilezaUrbana.pdf